Depoimentos

Júlia Gomes

Meu nome é Júlia Gomes Fleury. Tenho 29 anos. Operei com 27.

Durante o ano de 2016 e começo de 2017 passei a sentir algumas tonturas, fraqueza na perna e um pouquinho de dor de cabeça. Mas nunca dei muita importância a nada disso.

Durante os meses de maio, junho e julho de 2017 eu fiz uma viagem à Europa e por incrível que pareça esses sintomas sumiram. Em nenhum momento da viagem eu senti qualquer coisa. Assim que voltei para o Brasil, os sintomas tb voltaram só que dessa vez mais fortes.. muita fraqueza na perna, desanimo, tonturas e dores de cabeça. Eu não tinha vontade nem de sair de casa, só queria ficar deitada o tempo todo.

Mas mesmo assim, não imaginava que fosse nada grave, ate que um dia à noite tive uma dor de cabeça bem forte. A dor era tão forte que comecei a vomitar. Liguei para meu padrinho que é médico e ele disse: “dor de cabeça à noite não é um bom sinal. Amanhã cedo vá na emergência do Neurológico (hospital neurológico de Goiânia, minha cidade) e faça uma tomografia.”

No dia seguinte pela manhã fui ao hospital e fiz a tomografia.

Descobri então que tinha cavernoma, algo que até então nunca tinha ouvido falar.

Os médicos falaram que era um cavernoma enorme e que ele já havia sangrado, por isso eu precisava, urgentemente, fazer a cirurgia para retira-lo ou então eu poderia perder o movimento da perna direita, já que o sangue já havia se espalhado e já estava comprometendo meus movimentos da perna.

No começo fiquei muito nervosa, com muito medo.

Fiquei internada por uma semana, até que, no dia 04 de outubro de 2017, fiz a cirurgia.

Tudo correu muito bem e não tive sequelas.

Passei uma noite na UTI. Durante a noite comecei a chorar de desespero e medo.

Por um momento tb fiquei triste por causa do meu cabelo raspado, mas essa tristeza logo passou depois que uma enfermeira veio conversar comigo e me acalmar. Disse q o pior já havia passado e que eu tinha muita sorte de estar bem, viva e sem sequelas. Depois disso eu parei de chorar e nunca mais reclamei de nada.

Ainda possuo um cavernoma. Os médicos preferiram não retira-lo pq ele se encontra em um local muito difícil para ser retirado e como ele é muito pequeno a chance de um dia vir a sangrar é menos que 2%.

Hoje, 4 de abril de 2019, exatamente 1 ano e 6 meses da minha cirurgia, venho aqui para dizer que todo o processo não é fácil. O medo é constante. Antes e após a cirurgia. Na verdade, acho que o medo nunca acaba, mas tendo muita fé a gente aprende a lidar com ele.

Só posso dizer que a fase mais difícil passa e depois ficam só os aprendizados.

Com tudo isso que me aconteceu aprendi a reclamar menos das coisas e a agradecer mais. Hoje posso dizer que sou uma pessoa muito mais feliz e que aproveita muito mais a vida do que antes.

Se você está enfrentando isso nesse momento, acredite do fundo do seu coração que tudo dará certo no final. Palavras de uma pessoa que já passou por uma cirurgia no coração (aos 2 anos de idade) e outra na cabeça (aos 27 anos de idade) e continua aqui firme, forte e feliz pra contar essa história.

Logo dps que fiz a cirurgia, uma das coisas que mais me ajudou foi ler esses depoimentos e saber que eu não estava sozinha.

Espero que o meu depoimento possa ajudar alguém de certa forma.

Meu email é: juliagfleury@gmail.com

Instagram: julia_fleury

Se alguém quiser entrar em contato pra fazer mais perguntas ficarei feliz em ajudar.

Cavernoma
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