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Pesquisa sobre Cavernomas Cerebrais inclui sete Instituições Brasileiras

A Biomarcação de Hemorragia em Cavernomas Cerebrais

Um Projeto Multicêntrico acaba de ser iniciado no Brasil reunindo pesquisadores com experiências em tratamento e acompanhamento de pacientes com cavernoma cerebral, junto à Projeto idêntico iniciado nos EUA, sob coordenação da Universidade de Chicago.
No Brasil participam as seguintes instituições e colaboradores:
UFRJ – Neurocirurgia: Dr. Jorge Marcondes / Dr. Gustavo Galvão
UFRJ – Radiologia: Dr. Paulo Bahia
UERJ – Neurocirurgia: DR. Alexandre Martins
HOSPITAIS COPA D’OR E QUINTA D’ORn- Neurologia: Dr. Gabriel de Freitas e Dr. Fernando Cardoso.
SANTA CASA/SP -Neurocirurgia: Dr. Josë Carlos Veiga
HOSPITAL SERVIDORES/SP- Neurocirurgia: DR. FELIX PAHL
SANTA CASA /B.H.: Neurocirurgia: Dr. Marcos Dellaretti
LABNET - UNIRIO – Neurologia: Dra Soniza Alves Leon e Dra. Fabricia Fontes

O Projeto reúne colaboração de pesquisadores brasileiros, em diferentes cidades, que fizeram do compromisso de ajudar no protocolo de pesquisa uma missão em prol dos pacientes com cavernoma cerebral no Brasil. O Projeto tornou-se viável graças à destinação de emendas parlamentares dos Deputados Federais Áureo Ribeiro ( Sigla – Estado) e Marcelo Aro ( Sigla – estado).

O cavernoma cerebral é uma doença vascular cerebral que traz risco de hemorragia cerebral ou deficiência neurológica nos pacientes afetados. Poucas doenças do sistema nervoso central estiveram associadas ao aumento de pesquisas e de conhecimento científico, nas últimas três décadas, como o cavernoma cerebral. A melhora no diagnóstico, através da Ressonância Magnética e de sequências de melhor detecção de hemossiderina depositada, permitiu estudos mais acurados da doença assim como melhor compreensão de sua evolução e história natural.

Os cavernomas cerebrais podem existir em duas formas biológicas distintas. As que ocorrem como múltiplas lesões distribuidas pelo cérebro e/ou medula, identificam, geralmente, a forma familiar da doença e seguem padrão de hereditariedade associada à mutação dos genes CCM1, CCM2 ou CCM3. Já cavernomas que ocorrem como lesão única e isolada são chamadas de esporádicas e persistem como lesões congênitas isoladas e não trazem a chance de transmissão aos filhos. A doença apresenta variação no seu comportamento biológico, sendo a hemorragia sintomática recente o evento mais importante da história natural de um cavernoma. Estudos de história natural mostram que o risco de hemorragia em indivíduos assintomáticos é extremamente baixo (0,08% por paciente por ano), entre aqueles encontrados acidentalmente em uma ressonância cerebral. Uma vez ocorrida uma hemorragia de um cavernoma, o risco de sangramento anual subsequente aumenta substancialmente, sendo maior logo após o evento, persistindo com risco estimado de 42% em 5 anos. Estudos recentes, feitos pelo grupo de pesquisas da Universidade de Chicago demonstraram papel de destaque de proteínas plasmáticas do sangue associadas às hemorragias. A combinação de múltiplas moléculas foi a que melhor previu chances de futura hemorragia em cavernoma cerebral em 1 ano. Como, atualmente, o curso clínico da doença é altamente imprevisível, e a hemorragia é forma mais grave da doença, o prognóstico de uma futura hemorragia torna-se essencial nas decisões de tratamento da doença. Os resultados demonstrados pelo prof Issam Awad, liderando o grupo de pesquisa de Chicago, mostraram-se preditores de sangramento no ano subsequente com 83% sensibilidade e 93% especificidade (p=0,001).

Identificar biomarcadores faz parte da atual Medicina de Precisão e, assim como existem biomarcadores para previsão de outras doenças, a estratégia será usada nesse projeto para prever uma hemorragia cerebral em paciente com cavernoma. A validação do modelo em população distinta da estudada torna-se importante para a confirmação prognóstica de hemorragia cerebral para toda a população. O projeto brasileiro, com sete Instituições, terá como objetivo primário a validação de biomarcadores de prognóstico de hemorragia de cavernomas cerebral, através de combinação de moléculas plasmáticas na população brasileira.

Os critérios para a participação no Projeto serão: Critérios de Inclusão:1) Pacientes deverão ter entre 18-80 anos de idade.; 2) Pacientes com diagnóstico de cavernoma cerebral, em uma ressonância magnética cerebral, (GECHO ou SWI), de ambos os sexos; 3) Pacientes com hemorragia sintomática (CASS), nos últimos 12 meses, ou sem hemorragia lesional. O diagnóstico de hemorragia associada a MCC deverá preencher critérios clínicos (evento agudo ou subagudo) e radiológicos (presença de hemorragia lesional ou peri-lesional na TC ou RM) à época da hemorragia; 4) pacientes deverão, à época de alocação no estudo, não estar acamados ou apresentar condições neurológicas incapacitantes ao ponto de não poder deslocar-se, com segurança, ao Centro de Coleta. Critérios de Exclusão: 1) Pacientes com possível diagnóstico de cavernoma cerebral, mas diagnosticado em exame outro que não ressonância magnética; 2) Pacientes portadores de outras doenças simultâneas que possam levar à inflamação sistêmica, como doenças auto-imune, sepses, quadro febril à esclarecer ou presença de infecção local (abscesso) em qualquer região do corpo; 3) Deverão ser excluídos da avaliação paciente sabidamente diagnosticados com outras doenças inflamatórias que possam interferir na análise (doença auto-imune, câncer, infecções crônicas de qualquer natureza); 4) Pacientes em uso regular de quimioterápicos, imunomoduladores ou anticoagulantes; 5) Pacientes com indicação cirúrgica da MCC associada ao sangramento ou que já tenham sido submetidos à cirurgia de um único cavernoma com sangramento recente; 6) Pacientes que estiverem em uso de beta bloqueadores ou estatinas, independente do motivo. O Laboratório de Neurociências Translacionais, LABNET, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) realizará as análises de marcadores plasmáticos, seguindo rigidamente protocolo desenhado internacionalmente.

Com a firme atuação colaborativa dos centros de Excelência em Pesquisa brasileiros teremos a possiblidade de pesquisar um biomarcador de hemorragia cerebral, que é o evento mais importante nos pacientes com cavernoma cerebral, ao verificar as chances de cavernoma vir a sangrar no futuro.

Dr. Jorge Marcondes Dr. José Carlos Veiga Dr. Marcos Delaretti Dr. Felix Pahl

Dr. Gabriel de Freitas Dra. Soniza Alves Leon Dr. Alexandre Cunha Dr. Paulo Bahia

Dr. Gustavo Galvão Dra. Fabricia Fontes Dr. Fernando Cardoso

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