Cavernoma em foco

VITAMINA D, CAVERNOMAS CEREBRAIS E PANDEMIA CORONA VIRUS

JORGE MARCONDES, MD, PhD
Professor Neurocirurgia
Faculdade de Medicina da UFRJ


Coordenador Ambulatório Cavernomas da UFRJ Sabe-se que a vitamina D é fundamental para a absorção de cálcio e que é considerada importante na modulação da resposta inflamatória do organismo humano, possivelmente evitando exageros na resposta imune-inflamatória frente à antígenos apresentados.
Cavernomas cerebrais podem permanecer assintomáticos por toda a vida do paciente, entretanto, alguns podem apresentar graus variados de agressividade, fazendo com que o curso da doença em cada paciente seja altamente imprevisível.
A atividade dos cavernomas, conhecida como agressividade, é caracterizada principalmente por crises convulsivas e hemorragia, que podem levar à cefaleia, deficiências neurológicas variadas e complicações graves aos pacientes Recentemente verificou-se o envolvimento de processos inflamatórios na história de comportamento dos cavernomas, incluindo alguns fenômenos relacionados à variantes genéticas, que levam ao inicio da agressividade da doença [1-3].
Ao estudar potenciais marcadores biológicos dessa atividade de doença (biomarcadores) pesquisadores do maior centro de estudos da doença no mundo, na Universidade de Chicago, verificaram que aqueles pacientes com maior agressividade clínica apresentavam taxas baixas de Vitamina D, que é um hormônio conhecido por seu papel essencial na imunomodulação, regulando as células inflamatórias e produção de citocinas [4]. O fato de as taxas reduzidas de Vitamina D levarem à modulação defeituosa da inflamação poderia levar os pacientes com cavernoma cerebral a apresentarem uma resposta inflamatória mais intensa e como consequência à eventos clínicos mais agressivos.
Em relação ao momento em que vivemos uma pandemia devido ao Coronavirus, uma informação IMPORTANTE é a de que não existe, até o momento, tratamento comprovadamente eficaz para essa virose, e a prevenção de contágio mais eficiente para evitar a doença ainda é o isolamento social e medidas de higiene.
Não verificou-se qualquer propensão especial de pacientes com cavernoma cerebral à doença, assim como pior evolução dos pacientes em caso de contaminação.
Estudo recente demonstrou que a mortalidade pela excessiva inflamação, causada pela ativação de células inflamatórias e produção de citocinas (especialmente IL-6) contra o Coronavírus, pode ser reduzida em um terço nos pacientes que evoluíram para forma grave da doença, ao receberem uma droga imunomoduladora [5].
Nesse quadro descrito em que o exagero de reações inflamatórias pode levar à atividade de doenças, teoricamente é importante verificar ao menos se o sistema de modulação da vitamina D está em níveis normais.
Atualmente existe recomendação para que os pacientes com cavernoma, com sintomas ou não, façam a dosagem de sua Vitamina D sanguínea, se possível pela técnica de cromatografia líquida acoplada a espectrometria de massa (que é a mais rigorosa) [6].
Embora não exista um limite ideal idêntico para toda a população mundial, no Brasil estima-se que esse valor seja em torno de 20-30 ng/mL.
Tais recomendações estão no artigo científico de Guidelines (diretriz consensual) para Diagnóstico e Tratamento de Cavernomas Cerebrais, publicados em 2017 na revista Neurosurgery [7] e disponível no site da Aliança Cavernoma Brasil.

Referências:

1. Shi C, Shenkar R, Du H, Duckworth E, Raja H, Batjer HH, Awad IA: Immune response in human cerebral cavernous malformations. Stroke 2009;40:1659-1665.


2. Shi C, Shenkar R, Kinloch A, Henderson SG, Shaaya M, Chong AS, Clark MR, Awad IA: Immune complex formation and in situ B-cell clonal expansion in human
cerebral cavernous malformations. J Neuroimmunol 2014;272:67-75.


3. Fontes-Dantas FL, da Fontoura Galvão G, Veloso da Silva E, et al. Novel CCM1 (KRIT1) Mutation Detection in Brazilian Familial Cerebral Cavernous Malformation:
Different Genetic Variants in Inflammation, Oxidative Stress, and Drug Metabolism Genes Affect Disease Aggressiveness. World Neurosurg. 2020;138:535-540.e8. doi:10.1016/j.wneu.2020.02.119


4. Peripheral plasma Vit D and Non-HDL cholesterol reflect severity of cerebral cavernous malformation disease. Girard R, Khanna O, Shenkar R, Zhang L, Wu M, Jesselson M, Zeineddine HA,Gangal A, Fam MD, Gibson CC, Whitehead KJ, Li DY, Liao JK, Shi C, Awad IA. Biomarkers in Medicine 2016, 10(3):255-264. doi: 10.2217/bmm.15.118


5. RECOVERY TRIAL Oxford University – Low cost dexamethasone reduces mortality by up to one third in hospitalized patients with severe respiratory complications of
COVID-19 ____________________________________

6. Jones G, Kaufmann M. Vitamin D metabolite profiling using liquid chromatography- tandem mass spectrometry (LC-MS/MS). J Steroid Biochem Mol Biol. 2016;164:110-114.
doi:10.1016/j.jsbmb.2015.09.026


7. Akers A, Al-Shahi Salman R, A Awad I, Dahlem K, Flemming K, Hart B, Kim H, Jusue- Torres I, Kondziolka D, Lee C, Morrison L, Rigamonti D, Rebeiz T, Tournier-Lasserve E, Waggoner D, Whitehead K. Synopsis of Guidelines for the Clinical Management of Cerebral Cavernous Malformations: Consensus Recommendations Based on Systematic Literature Review by the Angioma Alliance Scientific Advisory Board Clinical Experts Panel. Neurosurgery. 2017 May 1;80(5):665-680. doi: 10.1093/neuros/nyx091.

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