Cavernoma em foco

ESTUDO MOSTRA QUE PACIENTES COM CAVERNOMA CEREBRAL APRESENTAM ALTERAÇÕES DO MICROBIOMA INTESTINAL

No dia 28 de maio de 2020 recebemos a notícia de que membros da Angioma Alliance, nossa co-irmã dos EUA, participaram de uma pesquisa inédita na Universidade de Chicago sobre a relação entre o microbioma intestinal (população de germes intestinais) e os cavernomas cerebrais.
O estudo pioneiro em doença vascular cerebral deu importante passo no entendimento de como a população microbiana dos intestinos humano pode afetar a doença cavernoma cerebral.
A Universidade de Chicago publicou notícia detalhando melhor o estudo publicado na prestigiosa revista americana Nature, que disponibilizamos aqui em tradução para o português.
O novo estudo mostrou que pacientes com rara doença cerebral, que leva a sangramentos cerebral, têm população microbiana intestinal diferente daqueles que não têm a doença. E mais ainda, que moléculas produzidas por esse desequilibrio bacteriano podem estar envolvidas na causa da formação de tais lesões no cérebro desses pacientes.
Os resultados mostraram pela primeira vez a detecção da relação em uma doença vascular cerebral humana. As implicações da descoberta podem estar ligadas tanto no tratamento da doença, como na investigação de como outras doenças vasculares cerebrais podem ser afetadas pela flora microbiana de uma pessoa.
A Universidade de Chicago é a líder mundial nos estudos da doença chamada cavernoma cerebral, sendo um centro de excelência para tratamento de tais pacientes.
O pesquisador da Universidade de Chicago, Issam awad, Professor de Neurocirurgia e Diretor de Cirurgia Neurovascular, já havia investigado, em um estudo prévio, em camundongos transgênicos, que células do cavernoma reagiam à moléculas produzidas por bactérias intestinais.
“As implicações pareciam enormes”, disse Dr Awad, “mas não sabíamos que esse conceito de que um microbioma único favoreceria o desenvolvimento dos cavernomas também em humanos”.
Para descobrir esses mecanismos os pesquisadores da Universidade de Chicago, junto com pesquisadores da Universidade do Novo México e da Pensilvânia, além do apoio da Angioma Alliance, coletaram amostras de fezes de 120 pacientes com cavernoma.
Essas amostras foram comparadas com as da população geral (sem cavernomas). As amostras de pacientes com cavernomas mostraram significativo aumento de bactérias gram-negativas. Identificaram, ainda, uma combinação de três bactérias comuns abundantes distinguindo pacientes com cavernomas dos controles sem cavernomas, com testes detectaram alta sensibilidade e especificidade.
Os pacientes com cavernoma cerebral tinham o mesmo microbioma diferente, independente de apresentarem a doença por meio de mutação genética ou como única lesão isolada e, também, independente de número de lesões que tinham.
A partir daí coletaram sangue dos pacientes com cavernoma e, através de sofisticada estratégia de inteligência artificial, conseguiram identificar uma combinação de sinais moleculares associados à doença.
Os pacientes com cavernoma cerebral tinham diferença significativa em biomarcadores e moléculas relacionados com as bacterianas intestinais.
Sangue colhido dos pacientes foi estudado para determinadas moléculas plasmáticas envolvidas em inflamação. A sua associação com o microbioma permissivo levava à agressividade maior da doença, percebendo-se que, combinadas, poderiam fornecer uma associação mais precisa em relação à formas mais agressivas e incidência de hemorragia nos cavernomas cerebrais. O microbioma foi consistentemente correlacionado à tal diagnóstico independente de relação com sexo, genótipo (doença familiar ou única) e nos múltiplos locais onde pacientes residiam foram alocados.
Os pesquisadores identificaram, claramente, uma estrutura de microbioma em pacientes com cavernoma cerebral que é permissiva ao desenvolvimento da doença e que, mais ainda, combinada à determinados biomarcadores plasmáticos aumentam a agressividade e hemorragias associadas à doença.

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