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Cristina Lousada

MINHA HISTÓRIA COM CAVERNOMA CEREBRAL

 

Meu nome é Cristina Lousada, tenho 43 anos e descobri o angioma cavernoso em 2011. Naquela ocasião, estava sentindo mal estar, cabeça pesada, formigamento no rosto, tonturas e resolvi ir à emergência do hospital da minha cidade (moro em Cabo Frio/RJ), pois como já operei o coração quando tinha 20 anos (tive um estreitamento de artéria aorta – coarctação de aorta – uma má formação congênita), pensei que poderia ser alguma problema cardíaco. Fiz uma tomografia que logo viu uma lesão no meu cérebro. Fiquei totalmente em pânico. Dias depois fiz uma ressonância magnética e uma angio ressonância que fechou o diagnóstico, tinha um angioma cavernoso no cérebro. Que desespero, meu Deus!


Comecei a procurar vários médicos no Rio de Janeiro, alguns até bastante renomados, todos, em geral, falaram que possivelmente eu nasci com esta má formação, que ela já sangrou e que pode ser que volte a sangrar. Alguns profissionais falaram que preventivamente eu deveria operar. Tal situação desencadeou em mim uma imensa depressão, muito…, muito pior do que o angioma. Não comia, não trabalhava, só chorava, sentenciei minha morte. Neste estágio, procurei uma psiquiatra que me medicou e mais do que tudo, Alguém me acolheu, Alguém me levantou: Deus!
Sou católica, comecei, junto com minha mãe, que nesta altura já tinha saído de Minas Gerais para vir cuidar de mim, a rezar todos os dias, ajoelhar e colocar minha doença nas Mãos de Deus. Fui recuperando.... e, consegui sair da depressão.
Durante o tratamento, há mais ou menos dois anos e meio, tive uma convulsão à noite, mas que tanto o médico que me viu, quanto a psiquiatra disseram que foi uma crise de ansiedade. E, infelizmente, há quase dois meses, mais exatamente em 07 de novembro, quando saía do shopping com meus dois filhos menores, senti uma forte contração muscular no rosto e acabei desmaiando. Fui para o Hospital lá o médico novamente disse tratar-se de uma crise aguda de ansiedade. Já melhor, procurei um neurologista que disse-me para eu acompanhar com exames de imagens esta má formação, mas que não via nenhuma razão para eu operar, mas sim que eu deveria levar uma vida normal, diminuir minha imensa carga de trabalho, buscar ter qualidade de vida para que o episódio não se repita. Pode até ser coincidência, mas das duas vezes em que tive convulsão estava extremamente estressada, logo, associo muito as manifestações do angioma com uma vida estressante!
Depois disso, em março, em meu trabalho, senti os mesmos sintomas de uma contração muscular no rosto, seguido de um desmaio. Fui levada para o hospital e novamente acharam que tratava-se de uma crise de ansiedade, mas desta vez, como já estava no hospital, pedi aos médicos que fizessem uma ressonância magnética do cérebro. As imagens estavam idênticas às imagens realizadas há 4 anos, não houve nenhum sangramento, a lesão continuava única com 1,5 cm.
Agora, no último domingo, mais precisamente, em 06 de junho, estava na minha casa, preparando nosso almoço, quando senti novamente uma forte contração muscular seguida de desmaio. Voltei ao neurologista e este, pela primeira vez, passou-me um anticonvulsante. E é claro, fiquei péssima, perco as forças, fico extremamente deprimida. Sou uma pessoa muito ansiosa, tenho minhas carências, sou muito sensível, tudo me deixa triste, tenho muitos pensamentos negativos...
Mas aqui estou eu…, vivendo, vivendo um dia após o outro! Colocando nas mãos Daquele que Tudo pode. Ele sempre me abençoou e vai continuar assim.
Sabe, quis falar da minha experiência para tentar ajudar àqueles que como eu foram ao fundo do poço diante do diagnóstico, mas é preciso caminhar.... Somos iguais a bicicleta, se pararmos de pedalar... caímos e Deus não nos quer assim! Possivelmente sempre tive angioma e só fui saber aos 39 anos, casei, tive 3 lindos filhos, alcancei minha satisfação profissional, sou tabeliã, e estou aqui.
Por isso, não vivamos em torno da doença, busquemos os recursos médicos, esperemos novos tratamentos médicos, mas precisamos VIVER, viver intensamente, pois assim Deus quer e deseja!
Preciso aqui agradecer além de todos os meus familiares, em especial meu marido e minha mãe, a duas pessoas que muito me marcaram naquele período: uma pessoinha que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente que é a Anália. Ela sempre teve a maior paciência de me ensinar, de me acalentar, de me ouvir! Que Deus lhe abençoe sempre. E a uma amiga que Deus colocou em minha vida, a Rita. Ela foi, no momento mais crucial da minha vida, o meu apoio, a minha fortaleza. Ela talvez um dia passará sua experiência aqui também e outros conhecerão a pessoa maravilhosa que esta mulher é. Assim.... vamos todos caminhando serenamente pois o stress, o desespero só irão prejudicar ainda mais a situação. Estas palavras, com certeza, são para mim....
Tenho muito... muito ainda o que aprender! Beijos no coração de cada um!!
Cristina Lousada
12/06/2015